domingo, 2 de novembro de 2014

O crepúsculo desceu, nem dia nem noite;
Muitos partiram para o país de verão
Ficaram os filhos da terra
Anunciando o ano novo ancestral.
Aqui nas brumas do sul
Saudamos a deusa-mãe
Senhora maior do nosso peito.
Vem, amiga, vem sentar-te no círculo,
Traz a tua sabedoria:
Ser mulher, mãe, filha,
Amante ou guardiã do tempo;
Senhora de grande coração,
Tu, que apaziguas as dores,
Desde o princípio dos tempos
Vem ser quem és na verdade.
Serás feiticeira por uma noite
Celebrando a mãe natureza
Que nos protege as colheitas.
Beberás dos vinhos nupciais
Neste crepuscular Samhaim,
Silvos e gnomos virão
Abençoar o lugar.
Aqui, Héstia acenderá o fogo;
a deusa ansiã curvar-se-á 
à compaixão de Kuan Yin
que escuta os gritos do mundo,
E cada mulher saudará
no silêncio da noite 
a eterna perséfone que 
aguarda o próximo renascimento.
Inclinemo-nos sob o fogo sagrado,
Guerreiras de uma época hóstil,
Façamos do nosso silêncio
Um lugar de peregrinação e culto.
Tranformemo-nos:
Quem espera na alvorada
Pela deusa da manhã
Sabe que a erma noite
Foi conselheira sagrada.

ISIS, 25 de Outubro de 2014